Seguindo viagem, fomos aportar em Pedra de Guaratiba, a única praia da cidade que possui um porto paralelo a orla, e não perpendicular (segundo afirmava um dizer de algum cardápio perdido em cima de uma mesa), qualquer que seja a importância disso. Este foi o dia para revirar o baú de memórias da minha querida esposa. A idéia era sentarmos no tradicional, e não menos famoso (pelo menos na Pedra), Rei da Empada, residente da região há exatos 46 anos. E, como não podia deixar de ser, estávamos em busca da famosíssima empada de camarão, o carro chefe da casa. Esta iguaria não era estranha à minha "patroa", que se surpreendeu em saber que não sentia aquele gostinho há mais de uma década, inclusive, naqueles tempos, o monarca das empadas ocupava outro endereço, consideravelmente menor e um pouco mais perto das águas de Guaratiba. O sucesso e a maestria com as empadinhas o levaram a se mudar para um espaço um pouco maior, para melhor acomodar os seus súditos, como este blogueiro de primeira viagem, que no seu primeiro contato com este Rei da Baixa Gastronomia, já jurou fidelidade eterna.
O ambiente é muito aconchegante, e o estabelecimento conta com um salão bem distribuído e uma varanda para aqueles que gostam de ver a moda e os pescadores com seus cestos cheios de peixes passarem. É preciso dizer que o preço, tanto das bebidas (Bohemia a R$ 4,50) quanto dos petiscos e pratos (empada R$ 2,50 e Peixe à brasileira, para 2 pessoas, R$25,00), é extremamente justo e satisfatório. As empadas são servidas sempre em pares, sendo que o freguês só pagar por aquelas que forem devoradas. Isto é uma estratégia certeira da casa, uma vez que é praticamente impossível ficar olhando para aqueles empadas frescas e quentinhas em cima da mesa e não come-las. Para falar um pouco das princesinhas do Rei, só vou dizer que foram as melhores empadas que eu já comi em toda a minha vida (sei que isso é muito clichê, mas é a mais pura verdade)! O segredo delas era divulgado ali mesmo, na parte interna da casa, em uma parede com inúmeros recortes de jornal mencionando os atrativos do Rei da Empada, que desde os idos de 70 já era citado pelos conhecedores do cenário baixo-gastronômico carioca. Um dos recortes trazia a seguinte manchete: "Farinha, sal e banha: o segredo do Rei". Isso mesmo, a boa e velha banha (é lógico que aqueles mais fresquinhos adeptos de academias e dietas rigorosas, acharão isto um absurdo, mas, estamos falando de baixa gastronomia, lembre-se), que dava um toque especial a massa, que derretia na boca sem nos deixar entupidos ou empapados. Um fenômeno! Vale dizer que o mesmo Rei das Empadas também deu cria e engendra dois personagens em um só ambiente: além de rei, também é o Príncipe dos Pastéis, mas este fica para uma próxima conversa.
OBS: um abraço especial para meu querido aluno Jackson, que trabalha na casa durante os fins de semana para dar uma ajuda no orçamento de casa, e nos serviu com maestria além de contar um pouco da história do grande Rei.
Dá uma conferida nas fotos.
Abs.